O Sol, o Petróleo e o Futebol!
Ouviu-se e leu-se no início desta semana, que Portugal vai ser chamado à atenção pela Comissão Europeia por ser o país que menos recorre às chamadas energias alternativas. Portugal juntamente com a Grécia, foram os países que até hoje menos investiram no acordado objectivo europeu de substituir progressivamente o petróleo por energias alternativas. Este ano, já 12% da energia consumida deveria ser proveniente destas fontes, mas Portugal não cumpriu. É bem certo que o dinheiro não dá para tudo e Portugal tinha o Euro 2004. E a Grécia, os Jogos Olímpicos! Mas com a Grécia, podemos nós bem! Agora que se avizinha a altura ter de começar a pagar a factura dos dez estádios, com o petróleo a aumentar diariamente sabe-se lá até onde e quando, também parece má altura para pensar nisso. E depois serão as eleições, e depois outra coisa qualquer. Haverá sempre coisas mais importantes em que pensar. Falhámos o objectivo europeu dos 12 % de energia produzida por fontes alternativas e falhámo-lo para nosso próprio mal. Agora que dava jeito, continuamos a depender do petróleo do mercado internacional e do gás que importamos da Argélia. E o vento continuará a soprar! E o sol continuará a brilhar… Mas se esse vento fosse bem aproveitado… Mas se esse sol fosse bem aproveitado, bastaria cobrir de painéis solares uma dessas herdades pequenas que por aí se vêm sem cultivo, para nela produzir electricidade suficiente para todo o país! E a custo pouco mais que zero!
Diz-se ainda que o preço do petróleo deverá continuar a aumentar. Consequentemente, as indústrias de transportes, de cimento, e outras de grande consumo energético, que já agora se queixam, deverão começar a ter uma situação de económica preocupante. E a perder competitividade face a quem tem energia mais barata, ou seja, a todo o resto da Europa! Isto para já não falar no propalado “Mercado Ibérico da Electricidade”, que deixará as companhias espanholas de electricidade numa posição mais favorável que a sua congénere portuguesa.
E assim se percebe como a falta de uma decisão política atempada de um governo (sem cuidar de saber qual) pode contribuir para a perda de competitividade de um país inteiro. Dêem-se as condições da nossa vizinha mais chegada, e logo se verá como a nossa indústria e a nossa agricultura passam a ser mais competitivas! Sem os criticados subsídios directos, mas com políticas correctas e atempadas. Portugal encontra-se –tal como a Grécia- na zona de melhor e mais prolongada exposição solar da Europa. Tal quer dizer que, se tivesse havido vontade política atempada, Portugal seria dos países que com mais vantagem poderia substitui o petróleo por energia eólica e solar. Assim, melhor poderia controlar (e baixar) os preços da energia e, consequentemente, tornar mais competitivos os produtos que dela dependem. E que são praticamente tudo o que é fabricado ou transformado. O Sol, esse, continuará a atrair milhões de turistas, que cá vêm “recarregar as sua próprias baterias”. Não ao “preço da chuva” mas “ao preço do sol”! O vento também continuará a soprar, tal como soprou as velas das caravelas e das naus de que tanto ainda hoje nos orgulhamos. Só que hoje já não há caravelas nem naus, e os próprios moinhos já deixaram de fazer a sua laboriosa música de búzios ao ritmo do vento. O vento agora sopra agora em vão.
Tudo poderia estar já aproveitado, mas não… em vez disso, entretivemo-nos a diminuir o défice. Será sem dúvida importante diminuir o défice, mas aparentemente, este não fará nunca travar o aumento do preço dos combustíveis. Como tal, por mais défices que se reduzam hoje, muitos mais haverá para reduzir amanhã, pois as facturas energéticas não pararão de aumentar. Sempre teria sido melhor (em minha opinião) investir no aproveitamento das energias renováveis e no abaixamento do défice a longo prazo. Ou seja, quando acabar o património vendável que nos tem vindo a permitir baixar o défice (e repare-se que até as nossas dívidas ao fisco já foram vendidas), estaremos condenados a apagar a luz e a deixar de circular (de automóvel, de camioneta ou de comboio). Será esse o único caminho para baixar a factura energética, que então se poderá ter tornado incomportável. Mas entretanto,
Vivó Benfica! Vivó Porto! E vivam todos os outros clubes com estádios novos e sobredimensionados!
(Entretanto, quem pode, vai a Espanha encher o depósito.)

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