O Cidadão José Dias
Foi anteontem agraciado com a Ordem da Liberdade, o cidadão José Dias. Para a maioria dos portugueses, este nome pouco ou nada significa. José Dias nunca foi “famoso” (como agora se chama aos que vivem, sem vida própria, nas capas das revistas), José Dias nunca foi mediático (como agora se chama aos que frequentemente aparecem nos telejornais), José Dias foi e é, simplesmente, um cidadão que deveria ser comum. Nem desta vez teve honras de telejornal! Mas muito mais importante, José Dias foi e é, a tempo completo, um Cidadão do Mundo. E enquanto tal, pugna por coisas simples mas difíceis: o direito de cidadania. Foi por isso que o Presidente Jorge Sampaio decidiu (e muito bem) agraciar o Cidadão José Dias. Comecemos pelos seu próprio “Juramento de Cidadania”:
“Eu, José Dias, cidadão português, portador do BI n.º 851493, afirmo defender o Estatuto de Cidadão, assumir os direitos e as responsabilidades daí decorrentes, educar-me e manter-me informado dos assuntos públicos, empenhar os meus concidadãos no estabelecimento da liberdade, da justiça e da dignidade para todos, preservar a Democracia Representativa e lutar pela Democracia Participativa e de Proximidade, servindo quando e onde chamado.”
Escrevi ainda agora que José Dias deveria ser um cidadão comum, mas o facto é que é não é! Poucos cidadãos terão a coerência e a militância cidadã do Zé Dias! Se muitos fossem, provavelmente esta sociedade seria melhor e mais igualitária, seguramente mais solidária, indubitavelmente mais cívica e consciente de si e portanto, menos crispada e mais harmoniosa. Felizmente ainda, temos um Presidente da República que repara e reconhece quem milita, mesmo com sacrifícios da sua vida pessoal, pela causa da cidadania. Eu, para além da admiração e da velha mas sempre renovada estima pessoal que nutro pelo Zé Dias, sinto-me usufrutuário (não deveríamos sentir todos??) da sua militância social e cívica. E, além do mais, a atitude e acção do Zé Dias não é estranha aos meus primeiros textos deste ano, sobre cidadania. Ele e as suas acções inspiraram-me e deram-me alento para esta (também minha) cruzada pelo direito à cidadania. Propus aqui que todos e cada um de nós elegêssemos este ano de 2004 como o ano pessoal da cidadania. Sem ecos ou proclamações públicas, assim como um ano íntimo. Para que em todos nós se interiorize essa natural necessidade de agirmos civicamente para connosco e para com os outros e assim contribuirmos para um mundo melhor. Para os outros e para nós. Uma espécie de celebração íntima dos 30 anos do 25 de Abril.
Fico portanto duplamente feliz por ter sido este o ano em que a acção do Zé Dias foi publicamente reconhecida. A Ordem da Liberdade, atribuída ao Cidadão José Dias em nome de todos nós, é o reconhecimento de que todos somos usufrutuários da sua militância cívica em prol da cidadania. É ainda o reconhecimento (mais que justo) de que o país tem sido usufrutuário da sua militância cívica em prol da cidadania, que implica direitos e deveres.
O facto de o cidadão José Dias ser agraciado com a Ordem da Liberdade numa data como esta, intercalada entre o dia 25 de Abril e o dia 1º de Maio, não pode ser lida como acaso. O Presidente da República Portuguesa é Jorge Sampaio e Jorge Sampaio garante uma elevada ética de procedimento. Ela própria também cívica. Numa altura em que tanto se fala de presidenciais, custa-me divisar no horizonte candidatos que tenham este tipo de prática e postura cívicas, alicerçadas no rigor. Mas isso são outras histórias! Por hoje, celebremos o Cidadão José Dias!

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