Ao correr da pena

São crónicas escritas "ao correr da pena", e publicadas todas as 4ªs feiras no Jornal "Diário do Sul" de Évora

Nome:
Localização: Évora, Alentejo, Portugal

2004-04-07

A minha fotografia

Há algum tempo que ando para alterar a minha fotografia que encabeça estas “Crónicas ao correr da pena”. A que por aqui andava, tem aguentado estoicamente estes últimos dois anos e tal (quase três), embora sofrendo algumas injúrias. Menos injúrias que o próprio tempo me infligiu a mim, é certo, pois também tenho mudado nestes anos em que ela deu a cara por mim! Trata-se portanto de refrescar (ou melhor, de envelhecer) o retrato do cronista! Além do mais, e por questões que me são estranhas (julgo que de impressão), ela já foi escurecida e clareada! Vê-se portanto que a fotografia já estava gasta. Eu, no entanto, o escurecimento e o embranquecimento, ainda os entendi, pois poderiam dar-se por questões relacionadas com as estações do ano (o moreno provocado pela veraneante exposição solar e o sequente deslavamento que sempre se sofre no Outono/Inverno). Mas, confesso, quando me viraram ao avesso e me puseram o relógio no pulso esquerdo, o mesmo que segura a politicamente incorrecta cigarrilha, achei que tinha chegado o momento de rever a minha própria imagem. Pensei: se já preciso ser virado do avesso, é porque a fotografia já está mesmo gasta, e na tipografia já não sabem como melhorar o que não já não tem melhoras. E como nos tempos que vão correndo, as ilações sobre factos que se desconhecem (o virar do que quer que seja) é o dia a dia de muitos dos nossos média, achei que era melhor precaver-me! Decidi portanto substituir a já deslavada e avessa fotografia por outra um pouco mais moderna e politicamente mais correcta: sem cigarrilhas nem mãos ou relógios à vista! A retirada da cigarrilha, corresponde a uma mais precisa imagem de mim, pois que actualmente o meu fumo se situa mais no “fumo social ou ocasional” que no “frequente” em vigor à data da outra fotografia.
E aí está! Em época em que tanto há para escrever, reflectir e pôr em comum, decidi dar umas fériazinhas aos assuntos pesados, de harmonia com a quadra pascal e sobretudo primaveril em que vivemos. Na próxima semana logo retomarei o curso habitual deste espaço normalmente acre, pois de leve e brincalhão nada tem tido esta vida e este país para nos dar. Temos de ser nós a criá-lo assim, a partir do nada. Oxalá que o futuro próximo nos possa trazer crónicas e momentos de maior distensão, diversão e brincadeira, mas sinceramente, estou pessimista. Acredito que “atrás dos tempos vêm tempos e outros tempos hão-de vir”, mas esses “outros tempos” que “hão-de vir” ainda demoram… Provavelmente, entretanto ainda tenho de mudar de fotografia outra vez!
Aproveito para dirigir a todos os que me lêem, desejos de uma feliz e tranquila Páscoa, que estendo também a todos os que laboriosamente confeccionam este nosso Diário do Sul.