Viva o Diário do Sul independente!
O Diário do Sul cumpre hoje mais um aniversário! O “nosso” DS completa hoje trinta e cinco anos! De acordo com a Constituição Portuguesa, a idade mínima para se poder candidatar à Presidência da República! E bem precisávamos disso, pois não se vislumbram candidatos credíveis, e ao menos o DS não depende de estratégias e tácticas traçadas por outrem! Bem sei que ainda é cedo, que ainda faltam dois anos para as próximas presidenciais mas o facto é que o horizonte não se apresenta risonho. Mas deixemos essas tristezas e comemoremos hoje o facto deste jornal completar 35 anos. É tanto mais meritório este aniversário quanto o Diário do Sul se perfila hoje como um dos poucos jornais independentes de qualquer grupo empresarial. E um dos pouquíssimos diários que disso se pode vangloriar. E nós, seus leitores, regozijar! Dos “grandes jornais diários” de âmbito nacional, nenhum resistiu ao apelo dos grandes grupos económicos. Dos jornais regionais, poucos ou nenhuns (de memória, não me recordo de nenhum, mas é possível que haja) são independentes dos grandes gigantes da comunicação social. Recordo com saudade jornais de referência que caíram (uns sem ruído, outros com um pouco mais de barulho): República, Diário de Lisboa, O Século, A Capital, Diário Popular, A Luta, Jornal Novo, só para falar dos diários, além de tantos, tantos outros semanários, bissemanários ou mensários… Os que ainda existem fazem parte de um qualquer sector de imprensa de um dos grupos empresariais “da moda”. É um orgulho (e um bem inestimável) poder-me relacionar e dialogar directamente com os proprietários e decisores do jornal onde escrevo, em vez de saber que o meu interlocutor é um assalariado com uma margem de manobra mais ou menos estreita. E que essa “margem de manobra” é regulada por desígnios muitas vezes incompreensíveis, até para quem a tem de fazer cumprir. As razões dos grandes grupos são frequentemente só compreensíveis para quem decide quais são os objectivos globais desses mesmos grupos. E nesse punhado de decisores raramente (nunca?!) estarão incluídos os directores e chefes de redacção dos jornais. Formalmente, os directores, os jornalistas e os colaboradores escrevem o que querem, pois a censura já acabou (vai fazer trinta anos este ano), mas qualquer um sabe que quem tem a “massa”, manda. E quem recebe, obedece. Se assim não fosse, qual seria o interesse dos grupos económicos em deterem jornais (por definição, empresas com baixas margens de lucro), que bastantes vezes até lhes dão prejuízo? É por isso um luxo poder escrever com liberdade e plena responsabilidade, como eu sempre tenho feito no Diário do Sul! É também um luxo poder ler e dispor de um jornal que é “aquilo que ali está” e não a ponta visível de um qualquer icebergue de perfil desconhecido. Pode-se concordar ou discordar, gostar ou desgostar do que se lê e do que se publica no Diário do Sul. Mas sabe-se que o que lá está foi produzido em clara liberdade, que é um dos bens mais caros (e mais atacados) desde há trinta anos a esta parte: a liberdade de expressão! É por isso que não podia deixar de me associar a este aniversário, saudando os fundadores, os responsáveis e todos os trabalhadores e colaboradores do Diário do Sul. E naturalmente, também todos os leitores, razão de ser destes (e dos outros) escritos! Acho que todos (os que estão de um lado, os que estão do outro e os que –como eu- estão nos dois) estamos de parabéns. E estaremos enquanto o Diário do Sul continuar a afirmar a sua autonomia e independência perante os grupos económicos. Parabéns por isso!

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