O grande desafio da cidadania “estrangeira”
Somos um povo habituado a saltar de país em país à aventura, a conviver com “muitas e desvairadas gentes”, a ser aceites e a aceitar os outros no seu próprio ambiente. Ambientes que geralmente também fazemos nossos, gerando quantas vezes comunidades lusófonas que por lá se mantêm por gerações. Em suma, entendemo-nos como um povo de viagem (de viagens), arriscando a distância, mas de fácil adaptação. De facto, encontram-se portugueses pelos quatro cantos do mundo, quando e onde menos se espera. Até se diz que em qualquer parte do mundo se encontrará sempre um português a fazer já parte da paisagem local. E de facto ele lá está, para nos tratar bem e nos dizer de que parte de Portugal veio, tornar-se algo nostálgico e orgulhoso do seu torrãozinho natal, mas sempre para dizer-nos no fim, que dificilmente voltará. Que já ali criou raízes, que já não conseguiria adaptar-se à vida por cá, que isto e que aquilo. Mas que gostaria de voltar de visita, embora definitivamente já pertença a outra realidade. Por outro lado, sente-se normalmente que esse português é respeitado, mesmo amado, e que está integrado e absorvido, fazendo por isso parte da paisagem. Assim uma espécie de Robinson Crusoe algo paternalista, cuja respeitabilidade se funda na longa e sincera aceitação dos outros e dos seus hábitos. E que se traduz reversamente na amistosa e sincera aceitação pelos outros de si próprio.
Mas agora o desafio é outro, e inverso… Agora são os outros que demandam o nosso país para o fazerem de seu! Cabo-verdianos, angolanos e brasileiros, croatas, romenos e russos, paquistaneses, chineses e indianos são gentes da nossa torna viagem na sua maioria, que aqui querem encontrar porto mais seguro que o seu. São o nosso reflexo, cinco séculos volvidos. Mas será que somos capazes de receber e aceitar esses outros que hoje nos procuram, como muitos deles nos aceitaram antes enquanto povo? Será que somos capazes de aceitar de igual para igual (isto é, respeitando as diferenças), aqueles que connosco querem colaborar e portanto com eles usufruir um pouco do nosso país? Será que os portugueses que sempre por cá ficaram têm o mesmo espírito de aceitação dos outros que demandaram paragens exóticas? Será que ainda temos a mesma abertura de espírito dos que por cá habitavam há uns mil, mil e quinhentos anos atrás, quando por cá coexistiam cristãos, judeus e muçulmanos, núcleos vikings e toda uma série de outros povos cujos nomes nos habituamos a papaguear na escola primária, sem muito bem sequer saber o que significavam (celtas, suevos, alanos, visigodos, cartagineses, etc., etc.)? Porque “as invasões” de que nos falavam não eram desembarques de guerreiros, que um belo dia resolviam aportar por cá! Isso seriam as cruzadas, que enaltecidamente ajudaram o Afonso Henriques a conquistar Lisboa, há menos de mil anos, e a firmar-se rei de Portugal. Invasões eram, um pouco como hoje, famílias inteiras que vinham de mansinho (uns mais, outros menos) e por cá iam ficando e criando raízes em comunidades com usos e hábitos próprios. Usos e hábitos esses que, umas dezenas (ou centenas) de anos volvidos, eram já parte do nosso mosaico cultural. Isto é, tornavam-se hábitos com direito de cidadania idênticos a todos os outros hábitos culturais que por cá já havia. Só os romanos tiveram um tratamento mais ríspido. Provavelmente porque, mais do que “para cá”, vinham “cá” buscar o que lhes falava em Roma. E foi a partir de todas essas “muitas e desvairadas gentes” da Europa e do Mediterrâneo que se formou este povo por sua vez demandou –e ainda demanda- as sete partidas do mundo. E já não se lembra de quando -como hoje- eram os outros que para cá vinham. Estou convencido que, com maior ou menor tensão, recuperaremos esse espírito e essa inteligência que é no fundo o que nos diferencia dos outros povos: esse maravilhoso dom de tudo aceitar e absorver, respeitando e esbatendo as diferenças, enaltecendo e tornando nossas as semelhanças. Porque essa é no fundo, a nossa própria marca e origem como povo!
Estamos portanto, como que retornar ao princípio do ciclo, a retemperar energias, a retonificar “a gesta” e antes de re-partir para mais uma aventura de mil anos!
Mas para isso, é preciso aceitar as diferenças e esse é sem dúvida o grande desafio. Empolgante como todos, mas sem dúvida o grande desafio!

1 Comments:
A DIFERENÇA CRUCIAL É QUE PORTUGAL NÃO TEM GENTE SUFICIENTE PARA DESTRUIR UM PAÍS DE GRANDE PORTE OU MESMO DE MÉDIO, MAS POR EXEMPLO LUXEMBURGO É A ÚNICA NAÇÃO QUE PODERIA RECLAMAR DA EMIGRAÇÃO TUGA ETNICAMENTE FALANDO; JÁ A ÍNDIA SOZINHA TEM 1,2 BILHÃO DE HABITANTES; O SUFICIENTE PARA FAZER PORTUGAL SUMIR DO MAPA MANDANDO APENAS MENOS DE 1% DA SUA POPULAÇÃO!!OU SEJA, SE PORTUGAL MANDASSE 1% DA SUA POPULAÇÃO, O MAXIMO QUE PODERIA DESTRUIR SERIA O VATICANO, MAS ENTRE OS PAÍSES QUE MANDAM IMIGRANTES PRA PORTUGAL ESTÃO DOS MAIS POPULOSOS DA TERRA E É AÍ QUE MORA O PERIGO!!
QUANDO PAÍSES PEQUENOS ENVIA GENTE PRA GRANDES, OS GRANDES NÃO CORREM O RISCO DE DESAPARECER ASSIMILADO, MAS QUANDO OS GRANDES MANDAM PROS PEQUENOS, AÍ SIM O RISCO DE DESAPARECIMENTO É INCOMPARAVELMENTE MAIOR!!
A AFRICA SUBSAARIANA TEM MAIS DE MEIO BILHÃO E BASTAVA MANDAR 1% DOS SEUS HABITANTES A PORTUGAL QUE FARIA MAIS DA METADE DO PAÍS SUMIR DE UMA HORA PRA OUTRA VIA ASSIMILAÇÃO!!
E PORTUGAL JAMAIS MANDOU EM NUMEROS ABSOLUCTOS TUDO ISTO PRA LA!!
OU SEJA, PRECISAMOS VER E CALCULAR TODAS AS VARIAVEIS PRA EVITAR A EXTINÇÃO DAS NAÇÕES E PORTANTO DA PROPRIA DIVERSIDADE ETNICA MUNDIAL!!
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